Amor no Casamento

O amor não é o mais importante. O amor é invenção moderna na história dos casamentos. Faz pouco tempo que ele adquiriu importância. Seu valor para o casamento, no mundo ocidental surge por volta do século XIII. No mundo oriental não tem tanta importância e no ocidental não é universal. Em alguns lugares do mundo, Marrocos por exemplo, se um homem pedir uma mulher em casamento, poderá receber a surpresa de ganhar no mesmo "kit" outros parentes, principalmente irmãs, que nem sequer o conhecem. O amor é importante, mas há fatores que unem e influenciam no sucesso da união conjugal mais do que o amor. O sexo começa a passar pela cabeça de quem lê esta afirmação. Mas o sexo também não é tão importante. Em outro artigo falaremos de sexo. Aqui, nos interessa apenas desmitificar o peso do amor. O amor é sentimento instável. Depende imperceptívelmente de suposições e de expectativas tácitas e implícitas que se tem sobre o outro. Depende da época de sua vida: do que você está vivendo, de suas necessidades pessoais, de seus sonhos. Imagine que a sua vida seja um tabuleiro de quebra-cabeças dinâmico, mais ou menos assim: conforme a imagem que ele adquire, a peça que falta é diferente. No quebra-cabeças imaginado do amor, a peça que falta nem sempre pode ser representada pela mesma pessoa. Em alguns momentos e até em algumas épocas duradouras, seu par é justamente a peça que sobra. Deixa de ser o objeto desejado e passa a ser objeto estranho ao amor. A vivência que se tem é de que o amor acabou. Você continua até gostando, mas percebe que não é amor. Como isto é dinâmico, muda, e esta pessoa volta a se encaixar. Se o amor for a principal, a mais forte ou a única base do casamento, é óbvio que em épocas como esta, o desmoronamento é inevitável. Pessoas que tem muitas afinidades fazem casamentos mais felizes. Não é bom se casar com tua xerox, nem com pessoa abúlica, que se submeta a todos os teus desejos. Mas com pessoa que espontaneamente se familiariza e convive com facilidade com o seu mundo e mais ainda, que se adapte as suas mudanças. Nas épocas em que teu quebra-cabeças pedir uma peça diferente, a pessoa espontaneamente -por afinidade- poderá se adaptar e continuar encaixando. Você gosta de vida social, esportes, danças, automobilismo, etc. Você tem religião, valoriza família, amizades, dinheiro. Você gosta de romantismo, de sexo, de surpresas, de comemorar datas, etc. Estas coisas são importantes para você. Você gosta de tantas outras coisas e nem importam quais sejam. Não tente convencer ninguém. Prefira encontrar para seu par eterno, uma pessoa que espontaneamente tenha afinidades com você. Quando o amor ficar em baixa, quando o sexo ficar em baixa, as afinidades manterão os dois unidos. As afinidades favorecem a estabilidade das relações conjugais. Casamentos estáveis quase sempre não tem o amor em primeiro lugar, nem o sexo. Se você se perguntar o que fazer quando o amor e o desejo sexual sumirem, encontrará facilmente a resposta se você e seu par tiverem muitas afinidades. As afinidades são mais importantes do que o amor.

Jones Gomide, 50, é psicólogo, psicoterapeuta de casais, sexólogo, diretor da Psiquê Psicologia Geral.

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