Cinco Fases do Sexo

 

SEXO HOJE: PRAZERES OU PROBLEMAS?

O sexo, antes significava só prazer e pensar em sexo era pensar exclusivamente em prazer. Isto mudou e hoje as pessoas que mais pensam em sexo são as que, pelo contrário, estão com sérios problemas. Pensam muito no "problema sexual".

Homens e mulheres, casados ou solteiros, hetero, homo e bissexuais encontraram na relação sexual uma fonte permanente de preocupações.

Diminuição ou perda total do desejo sexual, dificuldades em manter a ereção ou de atingir o orgasmo, tornaram a vida sexual uma das maiores preocupações dos homens e mulheres modernos.

A Terapia Sexual, normalmente uma terapia comportamental, breve (duração aproximada de 4 meses), focalizada na sexualidade tem ajudado as pessoas a reencontrarem o prazer na sexualidade.
Muito distantes das teorizações e das técnicas psicanalíticas estas psicoterapias abordam especificamente a relação sexual dos pacientes, diagnosticam e interferem apenas no que é necessário

A psicoterapia consiste em um conjunto de orientações, tarefas, exercícios, a serem executados pelo casal ou por um dos parceiros em sua casa. Não é necessária a presença do casal, mas é muito importante que exista um casal. Isto que dizer que pessoas solteiras, sem par sexual, devem se beneficiar menos da psicoterapia. Alguns pacientes querem primeiro resolver o problema sexual para depois encontrarem seu par e não terem que falar de sua dificuldade. Isto já é em si um problema.

Verifica-se que algumas pessoas apresentam dificuldades com um par e não apresentam com outros. Por exemplo, algumas mulheres não atingem o orgasmo com seu par fixo, mas atingem facilmente com outros pares. O mesmo acontece com homens, alguns são ejaculadores precoces com sua parceira e não o são com outros pares. Isto não significa necessariamente que o problema é do(a) parceiro(a), geralmente a dupla necessita da psicoterapia sexual.

As Cinco Fases Devem Ser Avaliadas

A psicoterapia sexual começa com o diagnóstico. O sexólogo avaliará as cinco fases da relação sexual: 1- a percepção do outro, 2- o desejo, 3- a excitação, 4- o orgasmo e 5- a convivência após orgasmo.

1-Homens são mais visuais e à distância percebem a presença feminina, as mulheres são mais auditivas e percebem melhor a presença masculina a partir do que ouvem do homem. É importante que cada um consiga perceber seu par, pois sem isto haverá solidão.

2-O desejo pode ser maior ou menor, mas sua alteração deve ser avaliada, pois se estiver muito baixo deve ser tratado. O aumento exagerado do desejo é comum em pacientes compulsivos e embora algumas pessoas sintam-se orgulhosas do seu desejo aumentado, o sexólogo deverá diagnosticar se não trata-se de uma compulsão.

3- A diminuição da excitação produz impotência sexual (ou disfunção erétil) em homens e dores (dispareunia) em mulheres, além de vaginismo, ainda mais grave, pois em muitos casos a penetração torna-se impossível e em casos ainda mais graves só a cirurgia do músculo vaginal será capaz de viabilizar a penetração.

4- A dificuldade em atingir o orgasmo leva homens ao diagnóstico de retardamento da ejaculação e mulheres ao diagnóstico de anorgasmia.

5- Ainda deve ser avaliada a convivência após orgasmo, pois a qualidade desta influencia todo o comportamento sexual e principalmente sua qualidade.

Embora as fases 1 e 5 sejam as mais importantes, homens e mulheres queixam-se normalmente das fases 2, 3 e 4. É comum que as queixas relativas às fases 2, 3 e 4 tenham origem em problemas na fase 5 e em menos casos na fase 1.

Diagnóstico e tratamento, devem ser feitos pelo sexólogo, que geralmente é um psicólogo com especialização em sexualidade humana e psicoterapia sexual, ou por um médico, que geralmente é urologista ou ginecologista, mas deve-se exigir que tenha especialização em sexualidade humana. A psicoterapia é recomendada em aproximadamente 80% dos casos e será feita pelo psicólogo sexólogo.

O médico avaliará as causas e se estas forem orgânicas fará o tratamento medicamentoso ou cirúrgico.
Medicamentos como o Viagra devem ser evitados, pois disfarçam a existência de problemas sem resolvê-los. Este disfarce é temporário e mais tarde o problema deverá ser enfrentado, quando já estará mais grave.

SEGURANÇA RECÍPROCA É FUNDAMENTAL

Homens e mulheres devem adquirir segurança recíproca e considerarem o relacionamento sexual uma das formas de encontro com seu par.

Quando homens e mulheres vêem no sexo, uma forma de exibição, de submissão para atingir outros fins, de gozo apenas, ou de uso do outro, a sexualidade deixa de permitir um verdadeiro encontro, passa a fazer o contrário, distanciando o casal da felicidade e do bom convívio. As mulheres costumem queixar-se de maridos que as procuram "apenas" para "descarregar" suas energias acumuladas. Outras queixam-se que sentem-se com a obrigação de relação sexual por medo de que seu par procure aliviar-se com outras.

Pacientes mais equilibrados não se abalam tanto com um baixo desempenho sexual, pois tem inúmeras outras compensações em si mesmas e nos seus pares, diminuindo a importância do gozo a qualquer custo. Porém é importante ressaltar que a capacidade sexual das mulheres é muito superior a dos homens. Mulheres que antes recebiam queixas permanentes de evitarem o sexo, e após a terapia sexual desejarem sexo regularmente, passaram a ver em seus maridos os comportamentos de fuga, que parecem ser tipicamente femininos: "dores de cabeça, cansaço, sono, irritação, etc". Por mais sério que isto seja, é também divertido para estas mulheres poderem assistir estes comportamentos de fuga em homens.

É bom afirmar que as pessoas que por qualquer motivo não estejam satisfeitas com sua vida sexual, hoje já não precisam se esconder, nem fingirem o que não sentem. Podem e devem buscar a ajuda especializada. A sua disposição encontrarão psicoterapia sexual individual, em casal ou em grupos, cada uma oferecendo vantagens e desvantagens em relação às outras. Deverão analizar com seu terapeuta e escolher a que será melhor para o seu caso.

Jones Gomide, 50, é sexólogo, psicólogo, psicoterapeuta de casais, , diretor da Psiquê Psicologia Geral.

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