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ORIENTAÇÃO VOCACIONAL
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Conflito faz parte da vida. A toda hora estamos às voltas com ele. De um lado, um desejo de expressão e, do outro, todas as normas, adquiridas desde criança, que contrariam esses desejos. Isto é conflito: sob a perspectiva do desejo, a satisfação deve ocorrer custe o que custar. A pessoa o escuta e avalia se pode ser atendido ou se é melhor aguardar um momento adequado para atendê-lo. Todo mundo tem desejos, mas também tem projetos e aspirações. Os desejos pedem satisfação imediata e os projetos pedem um tempo para serem alcançados. Todo esse passeio pelas idéias para falar do grande drama dos adolescentes, hoje em dia, em escolher. A adolescência prima pela dúvida. "O que vou ser quando crescer ?" Todo jovem vive um momento tumultuado, com dúvidas a respeito de si mesmo. A escolha profissional é só mais uma dúvida, porém absolutamente emaranhada no seu novelo pessoal. São muitas as questões a respeito da vida, da identidade, do certo e do errado, além daquela - que aqui vou considerar especificamente -, a dúvida profissional. Os jovens, ao se divertirem indo à balada, viajando, experimentando a vida, satisfazem um lado de si. O outro lado da sua pessoa aspira chegar a um ideal, quer realizar-se profissionalmente, quer ter sucesso, dinheiro e poder. Mas estes objetivos não se alcançam da noite para o dia. É necessário projetar uma meta profissional. E a escolha da porta de entrada para a profissão é um momento delicado. Por isso é preciso que o adolescente tenha calma na hora de escolher uma profissão. Aliás, o mundo adulto sempre pede calma ao jovem; tarefa difícil: ele tem que avaliar todos os seus interesses, seus instantes de prazer executando uma tarefa, seus hobbies e facilidades. Mas também cobra que o jovem analise rápida e objetivamente as melhores alternativas profissionais com prestreza; isto, aos 17 anos de idade. As pressões vêm de todos os lados: de casa, da escola, dos amigos, da mídia. O que escolher?: esta é a questão do jovem que cursa o colegial. Todos querem ganhar dinheiro, isto é claro. Com frequência, visualizam-se em cargos de projeção. Todos pensam em ter um negócio próprio. De fato, esta é uma forte tendência em tempos de escassez de empregos; ou melhor, quando as características do trabalho inclinam-se para a terceirização. Porém, quando o adolescente sonha com o próprio negócio, esclarece que o que espera com isso é não dever satisfação a ninguém: ficar livre das cobranças, dos horários e dos prazos. O superior, pessoa tão associada ao pai, tornar-se-ia 'coisa do passado'. Com a escolha profissional, assim, os jovens esperam alcançar a felicidade. Essa palavra mágica, que ronda o imaginário do homem em todos os tempos, para o adolescente diz respeito à satisfação contínua. Se questionados, reconhecem que encontrarão problemas; porém, acreditam que, vencendo profissionalmente, serão felizes para sempre. Alcançarão aquele estado de graça vivido pelos apaixonados. Elaboram estratégias para chegar lá e vêem seus sonhos caírem por terra na primeira aula de estatística da faculdade. "Ora, não entrei na faculdade para prosseguir estudando matemática!" Quanta teoria, sociologia, biologia, anatomia, TGS ... Convenhamos que, se o adolescente não está bem firme quanto aos seus objetivos, não será capaz de ter motivação para superar os primeiros anos de qualquer faculdade. É preciso reconhecer, naquele currículo, uma centelha que seja da carreira que lhe trará prazer. O primeiro passo na escolha profissional é elencar as atividades que têm boas chances de trazer satisfação. Bem como associar tais atividades a algumas profissões. Levantar os sonhos e as expectativas é um exercício de brincar com o futuro. O momento de escolha profissional pede a análise das vocações desenvolvidas ao longo da vida, como um exercício de associar o passado e presente, buscando uma projeção no futuro. Sonhos e realidade devem andar de mãos dadas. Os sonhos injetam força à realidade. A realidade oferece pequenas e grandes realizações, mas também, decepções. A consciência daquilo que se quer e das dificuldades para chegar lá, fortalecem cada pessoa na luta pelo ideal. É fundamental ter um olho voltado para dentro e outro para o mundo das profissões, hoje tão diversificado. É como ligar a TV e ficar perdido diante de tantas alternativas. São cursos técnicos, cursos universitários, formação especialista ou generalista, cursos mais práticos, outros mais teóricos, enfim, uma infinidade de possibilidades e combinações. Apesar do sofrimento, o momento de escolher uma profissão pode ser extremamente rico; se for bem trabalhado, será fator de amadurecimento. O jovem poderá compreender que tudo na vida traz perdas e ganhos. Às vezes o jovem se vê no conflito entre aquilo que ele quer e aquilo que seus pais desejam para ele. É interessante pensar porque os pais desejam que os filhos sigam um determinado caminho. É natural que isto ocorra, os pais muito frequentemente conhecem seus filhos. Porém, às vezes, gostariam tanto de facilitar o caminho dos filhos que esboçam os projetos, pensam na faculdade ideal e até traçam o emprego para eles começarem, como se o filho ainda fosse uma criança pequena, quando os pais escolhiam a escola, a roupa, o passeio e a moradia. Eles cresceram; e é duro ver os filhos crescerem. Buscar uma profissão é o primeiro gesto de independência. Às vezes, rapazes e moças escolhem uma profissão que, aos olhos dos pais, não oferece grandes perspectivas. Outras vezes, querem escolher sem considerar que os pais poderiam lhe facilitar o caminho. Por que será que os filhos, ao escolherem uma profissão, insistem em começar do zero? Por que será que tantas vezes os pais querem fornecer experiências e os jovens preferem ter suas próprias experiências? É importante fazer sugestões, dizer o que pai e mãe pensam a respeito da escolha profissional dos filhos; porém, não dá para obrigá-los a acatar aquilo que é proposto. Com certeza, suas idéias serão consideradas, se os filhos se identificarem com elas, mesmo que essa concordância ocorra no futuro. Da mesma forma uma semente é plantada, cuidada, regada por um longo tempo, para mostrar suas flores e o sabor de seus frutos no futuro. Outro dia, um rapaz me perguntou: "Você que é psicóloga, talvez possa me responder como é a mulher. Tenho certeza de que, conhecendo o sexo feminino e criando as estratégias de abordagem corretas, terei mais sucesso com elas. Depois, eu me viro bem; o problema é a aproximação." Chegar perto das meninas e conhecê-las é, na minha opinião, tão trabalhoso quanto chegar perto de uma profissão. Envolve conhecer o que é, as possibilidades, as limitações, o risco. Da mesma forma que no amor, há medo de acertar e de errar. O processo é semelhante ao que ocorre no desenvolvimento de uma vida profissional. Ter sucesso é, na maioria das vezes, simultaneamente desejado e temido. O processo de Orientacão Vocacional divide-se em cinco encontros com os jovens e um encontro com os pais. As reuniões abordam os seguintes temas: - auto conhecimento: valores, criatividade, idéias
sobre trabalho e realização pessoal, influências familiares
e sociais; - teste de interesses:momento no qual obtemos dados
numéricos sobre as áreas de interesse; - grupo com os pais: reflexão sobre os resultados
e sobre as angústias dos pais neste difícil período
para pais e filhos.
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