|

|
Há
alguns dias, passando em frente a uma concessionária, vi a propaganda
de um carro, nem me perguntem qual (sou péssima para essas coisas
de marcas e rótulos), dizia: "ouça seu corpo
".
Debrucei-me por muito tempo nesta frase, ficou a ecoar no cérebro,
então, como boa goiana, matutei por alguns instantes, durante alguns
dias, flutuando sobre a frase. Vieram perguntas, respostas, conceitos
Pensei o quanto fazemos por nosso corpo: esportes, academia, nutricionista,
fisioterapia, massagens, drenagens linfáticas, banhos de florais
e uma infinidade de outros apetrechos e aparatos que mal conseguimos acompanhar
as atualizações - que ocorrem quase na mesma velocidade
das atualizações tecnológicas. Mas quantas vezes
paramos para realmente OUVIR o corpo?
Na rotina exasperante nossos movimentos se tornam automáticos,
somos como que vítimas de nós mesmos, aprisionamo-nos no
eterno executar e repetir. Os gestos passam então a ser exclusivamente
executados para tarefa, de maneira robótica, sem sentido ou significado
real. Os sentimentos e emoções, que são primeiro
vivenciados no corpo, são silenciados e travados.
Justificamos tais atitudes com o discurso pronto e dados de saúde.
Saúde em que o índice de estresse e as doenças associadas
a este são cada vez maiores. Saúde em que as relações,
com outros e com nós mesmos, são atravancadas. Saúde
em que as lesões são cada vez mais frequentes. Saúde
que depende cada dia mais de remédios que nos fazem sentir bem
(ou menos?).
Distanciamo-nos de tal forma de nós mesmos que até "sentir"
ultimamente cai no esquecimento. Na lida diária engolimos nossos
sentimentos por não haver tempo (pura desculpa) para entendê-los,
mas lá estão e lá permanecem, estagnados. Mostram-se
mais cedo ou mais tarde, das mais variadas formas, inclusive no corpo.
Voltamos à celebre frase: "ouça seu corpo
".
Ouvir o corpo se faz extremamente importante para nos entendermos e aprendermos
a lidar com nós mesmos, nossos sentimentos e pensamentos, para
que assim, quem sabe possamos construir um significado de saúde
real, em um corpo real.
Afinal, sentir
é corpo, existir é corpo, sentir é existir no corpo,
é estar PRESENTE.
PANISI, Daniela, 03.11.2009
Psicóloga
CRP:06/89184
Contato: danielapanisi@hotmail.com
outros
artigos
|