REFLEXÕES

 

REFLEXÕES PARA UM ANO PLENO E MAIS PRAZEROSO

 

A vida se dá em ciclos; dias, meses, anos...

O início de mais um ano suscita o desejo de fazermos um "balanço" acerca de nossas vivencias, dificuldades, sonhos e realizações.
Surge a expectativa de que no próximo ano sejam resolvidas todas as pendências" (como se um dia fosse possível "zera-las").

Fazer os exames médicos adiados a tempo, realizar a tão sonhada viagem, o corpo malhado na academia que tantas vezes fora paga e tão pouco freqüentada...Ah! E o regime! Adiado sempre para a próxima segunda-feira!
E tem ainda aqueles que querem mesmo "virar a mesa"!!! Ser outra mulher, outro homem - mais apaixonada (o), decidida (o), autônoma (o) e realizada (o) - sair da mesmice; do mela, mela, do dia a dia desgastante e sem graça.

E o companheiro que não entende as mudanças de humor da esposa, as dores de cabeça, a T.P.M a insatisfação...
Homens esgotados do trabalho, na maioria sem o reconhecimento desejado, ameaçados constantemente pelo desemprego, sozinhos num mundo de pedra, onde já não tem o poder de antes, nem o controle do destino de sua família como outrora.

Quem é esse homem que deve ser o companheiro fiel, o pai cuidadoso, o amante voraz (bem dotado), o amigo (assexuado), disponível para ir às compras, interessado nos intermináveis discursos femininos, bem humorado, com o limite do cheque especial estourado, o cartão de crédito arruinando o salário... Desejando magicamente ser outro homem, em outra cidade, outro país ou quem sabe outro planeta, sem contas, obrigações, desentendimentos... (o nirvana!)

E a mulher do século XXI, cansada da dupla, tripla jornada, frustrada pelos filhos que não teve, preocupada e culpada pelos que tem e não pode acompanhar como gostaria.
E ainda há que ser a dona de casa especializada em economia doméstica (ainda mais nestes tempos de inflação...), a mãe dedicada e paciente, a amante insaciável e orgásmica, a filha amorosa atenta às necessidades dos seus progenitores. Ah! e ainda tem que gostar da sogra, achar divertido todos os palpites que a pobre senhora dá e aceitar que o tempero do feijão dela será sempre melhor que o seu (pelo menos na opinião do seu marido).

E se não tiver marido?! É aquela que nos dias de hoje ainda é discriminada! Nas festas de confraternização, principalmente as familiares, todos perguntam se ainda está "sozinha".... (nunca ninguém questionou se esse é seu desejo!).

O homem que não tem mulher precisa sair à caça todos os finais de semana (senão é boiola). Deve "traçar" todas, mas para isso precisa ter carrão! (mesmo que se enforque nas prestações!). Usar roupa bacana, perfume importado e ainda dizer aos amigos que ainda está sozinho porque não encontrou a mulher "ideal".

Há 50 ou 60 anos atrás, se sabia exatamente o que esperar dos homens e mulheres.

Eles deviam ser o provedor da família, demonstrar autoridade e domínio. Exercer sua sexualidade numa casa de "mulheres da vida", "respeitar" a esposa que naquele tempo, diferente de hoje, devia ser frígida... (ter orgasmos não era coisa para mulher de família!).

As meninas eram criadas desde cedo a serem boas donas de casa, tinham de saber bordar, cozinhar, costurar, acatar os desejos e determinações do seu "amo" senhor... Ter filhos, muitos filhos, assim não teria tempo para "futilidades" e nem traição! (doce ilusão!).

Hoje mais do que nunca homens e mulheres estão em crise... Passamos por um momento histórico de grandes transformações, o que causa desconforto, instabilidade, inúmeras discussões e uma grande sensação de vazio existencial.

30% das famílias no Brasil são mantidas por mulheres que se vêem obrigadas a deixar suas proles, horas a fio numa escola, ou com alguém pago ou não para cuidar delas. Insegura, sem saber quais valores morais estão sendo ensinados, com medo da violência, dos estupros e de todas possibilidades macabras que a mídia insistentemente propaga. Tem também o peso da responsabilidade, o dilema de ser mãe/pai muitas vezes. A necessidade de racionalizar, ser prática, diminui a intuição, a disponibilidade de acolhimento, a contemplação e a organização, próprios do "feminino", mas não exclusivos da mulher!
O homem machão está em queda livre, quase em extinção. Agora é ele que muitas vezes cuida do lar, lava, passa, leva os filhos na escola, ajuda nos deveres de casa e aguarda a chegada da esposa, exausto!

Os tempos são outros, não que seja melhor ou pior que outrora, apenas diferente, mas que demanda posturas diferentes daquelas que aprendemos e acreditamos.
As mudanças externas acontecem num ritmo alucinadamente acelerado, sem que possam ser assimiladas internamente na mesma velocidade, causando um sentimento de inadequação, ressentimento, medo, vazio existencial, sofrimento e muitas vezes depressão.

"Alguma coisa está fora da ordem - da nova ordem social"

As pessoas buscam a ajuda de profissionais especializados para poderem identificar e reorganizar seus papéis sociais. Aprendem a mobilizar novos recursos para lidar de modo mais efetivo com as implicações emocionais decorrentes desse processo de transformação mundial.

Pequenas mudanças de visão e atitudes fazem uma grande diferença na qualidade e satisfação da sua vida pessoal, sexual, afetiva e social.

Aproveite o início de um novo ciclo e escolha ser mais feliz!
Você não está sozinho nesta busca!

"Um homem pode viver muito e não viver. Encontrar satisfação na vida não depende do número de anos que se tem, mas da vontade".

Ana Cristina R. Saladrigas é psicóloga.
Atende adultos, crianças, casais e família. É especializada em Transtorno do Pânico e Psico-oncologia.
Atende na Pça da árvore e no Tatuapé - São Paulo - SP

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